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Notícias

motociclismo

Catarinenses vencem em Foz do Iguacú

Pilotos de SC fizeram bonito no brasileiro de Motocross

Domingo, 14 de junho de 2009

Foz do Iguaçu (PR) – A quarta etapa do Campeonato Brasileiro de Motocross teve casa cheia em Foz do Iguaçu, no Paraná. O goiano Wellington Garcia, do Team Honda, cumpriu os seus objetivos e manteve a liderança nas duas principais classes, a MX1 e a MX2 – ele foi quinto e primeiro colocado nas baterias deste domingo, respectivamente. Já na 85cc, vencida pelo goiano Everaldo Filho, Thiago Formehl, do Mato Grosso, chegou em sexto – o suficiente para recuperar a ponta da tabela na classificação geral. No sábado, Rodrigo Rodrigues foi o segundo colocado na bateria da MXJr e continua vivo na briga pelo título.

MX2 – Assim como nas etapas anteriores, Wellington Garcia teve de fazer uma prova de recuperação. Swian Zanoni confirmou o holeshot, seguido de perto por Jean Ramos, e o goiano sofreu uma queda, largando entre os últimos. Na primeira volta, Wellington estava em 11o lugar e, a cada minuto de prova, ia ganhando posições. Enquanto isso, Jean Ramos pressionava Swian Zanoni, que fazia uma corrida sem erros. Aos 20 minutos, Wellington Garcia já estava em terceiro lugar, cada vez mais próximo dos companheiros de equipe, e logo conseguiu superar Jean Ramos. Quando faltavam apenas duas voltas para o término da bateria, o goiano colou em Swian Zanoni e fez a ultrapassagem, garantindo a vitória.

“Já está virando rotina eu ter de fazer uma prova de recuperação na MX2. Espero que nas próximas eu consiga largar bem, pois ter de andar atrás no início da prova é extremamente desgastante”, explicou. O piloto contou que um gás extra veio das arquibancadas. “A cada volta eu pude ouvir a galera torcendo por mim, isso é um incentivo muito importante. E quero agradecer ainda o apoio da equipe Honda, que também é responsável por mais este bom resultado”, concluiu. Swian Zanoni chegou muito perto da esperada vitória. “Cometi alguns erros no final da bateria, mas estou feliz porque este desempenho mostrou que estou no caminho certo”, observou.

MX1 – Thales Vilardi largou na frente da MX1, seguido por Douglas Parise, João Paulino “Marronzinho” e Wellington Garcia. Gabriel Gentil assumiu a ponta, mas aos sete minutos de prova foi ultrapassado por Marronzinho, que seguiu na frente até o final. Wellington Garcia estava em terceiro lugar, mas sofreu bastante com bolhas nas duas mãos e terminou em quinto. Marcello “Ratinho” fez uma prova redonda: venceu o duelo com Swian Zanoni pela terceira posição e, na sequência, ultrapassou Wellington, assumindo o segundo lugar. Ele chegou a pressionar Marronzinho no final, mas não havia mais tempo para arrancar a vitória do adversário.

“Tive um início de temporada ruim, mas continuei trabalhando forte. Hoje, quando estava quase chegando no Marronzinho, cometi um erro. Mas estou muito feliz com o resultado e gostaria de agradecer a todos que me apoiaram”, disse Ratinho. Wellington chegou ao pódio bastante cansado. “Senti muito as bolhas nas mãos. Tentei administrar e conseguir o melhor resultado possível, pois preciso pensar no campeonato. Se tudo der certo, quero levar os títulos da MX1 e da MX2”, disse Wellington, que já conquistou este grande feito em 2007.

85cc – Thiago Formehl largou na frente e abriu grande vantagem. Everaldo Filho e Cézar Zamboni completaram o primeiro pelotão, e já estavam na segunda e terceira posições, respectivamente, na segunda volta. O duelo entre os dois esteve bem acirrado, enquanto Formehl somava nove segundos na frente. Porém, o piloto sofreu uma queda na metade da prova, abrindo caminho para seus companheiros de equipe. Zamboni chegou a liderar em duas voltas, mas o dia era mesmo do goiano: Everaldo Filho cruzou a linha de chegada, confirmando a sua segunda vitória no Brasileiro. Formehl não desistiu e confirmou o sexto lugar.

“Foi suficiente para conquistar novamente a liderança. Estou muito feliz. Estou em uma grande equipe, por isso o meu esforço não poderia ser enorme também”, explicou. “Foi uma prova bem difícil e desgastante por conta da pista. Quero agradecer muito a força que todos me deram para conseguir esta vitória. A energia do público e da minha família foi fundamental”, disse Everaldo Filho. Zamboni destacou o espírito esportivo dos pilotos. “A corrida foi bem disputada e os pegas foram muito limpos. Tive um ótimo resultado, cheguei a liderar, mas continuo na briga pelo título”, avisou o piloto de Juína, no Mato Grosso. A má notícia ficou por conta do paranaense Eduardo Rudnick, que caiu e chegou a “apagar” na pista. Ele foi socorrido prontamente, acordou na ambulância e passa bem, com suspeita de ombro deslocado.

MXJr - Rodrigo Rodrigues largou em segundo, atrás de Gabriel Gentil. Hector Assunção não teve a mesma sorte e começou em sexto, mas não desanimou: imprimiu um forte ritmo e foi ultrapassando os adversários, até que conseguiu superar Rodrigo Rodrigues no final da corrida e assumir a segunda colocação. Porém, quando faltavam apenas duas voltas para a bandeirada final, sofreu uma queda e voltou em terceiro. Rodrigo Rodrigues não desperdiçou a oportunidade e fechou a corrida em segundo, ficando a seis pontos de Gabriel Gentil na classificação geral.

“Larguei bem e fiz uma boa prova, mesmo sem ter conseguido treinar o suficiente, já que machuquei o tornozelo há duas semanas. A minha moto Honda estava muito bem acertada. Foi importante ficar em segundo lugar para continuar forte na briga pelo título”, explicou Rodrigo Rodrigues. Já Hector Assunção saiu da pista com a sensação de que o desfecho da prova poderia ter sido melhor. “Tive uma largada ruim e fui buscando, mas sofri uma queda no final, quando me preparava para chegar mais perto do Gabriel Gentil. Agora vou treinar o dobro para somar o máximo de pontos possível nas próximas etapas”, concluiu o piloto.

Resultados
MX1
1 – João Paulino “Marronzinho”
2 - Marcello “Ratinho” – Team Honda - CRF 450R
3 - Swian Zanoni – Team Honda - CRF 450R
4 – Pipo Castro
5 - Wellington Garcia – Team Honda - CRF 450R
7 - Jean Ramos – Team Honda - CRF 450R
9 - Thales Vilardi – Team Honda - CRF 450R

MX2
1 – Wellington Garcia – Team Honda - CRF 250R
2 – Swian Zanoni – Team Honda - CRF 250R
3 – Jean Ramos – Team Honda - CRF 250R

4 – Rafael Faria
5 – Pipo Castro
9 – Thales Vilardi – Team Honda - CRF 250R
10 – Hector Assunção – Team Honda - CRF 250R
11 – Rodrigo Rodrigues – Team Honda - CRF 250R
12 - Gustavo Takahashi – Team Honda - CRF 250R
14 – Rodrigo “Lama” – Team Honda - CRF 250R

85cc
1 – Everaldo Filho – Team Honda - CRF 150RB
2 – Cézar Zamboni – Team Honda - CRF 150RB
3 – Anderson Amaral
4 – Leonardo Lizott
5 – Fillipe Gonçalves
6 – Thiago Formehl – Team Honda - CRF 150RB

MXJr (corrida realizada no sábado)
1 – Gabriel Gentil
2 – Rodrigo Rodrigues - Honda CRF 250R
3 – Hector Assunção - Honda CRF 250R
4 – Marçal Muller
5 – Gustavo Takahashi - Honda CRF 250R
6 – Rodrigo “Lama” - Honda CRF 250R

O Team Honda tem apoio da Mobil, Pirelli, Showa, ASW, Polisport, Riffel, Oakley, Orbital, D.I.D., NGK, Master Freios, Pro Taper, Reebok, Griffe Correa e Yoshimura.

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automobilismo

3ª Etapa da FK e FKS encerra primeiro semestre

Sábado, 13 de junho de 2009

Muita emoção na terceira etapa da Fórmula Kart (FK) e Fórmula Kart Super (FKS)! Tanto na alegria, quanto no susto. Foram duas baterias para cada categoria que tiveram como vencedores Leonardo Nienkotter, na FK, e Fernando Rocha, na FKS.

Nas tomadas de tempo, Nienkotter e Edward Fachini mostraram mais equilíbrio no conjunto de seu kart e conseguiram as pole-positions. Na FK, a disputa teve uma diferença de 0.330 segundos entre o primeiro e o segundo colocado. Já na FKS, o equilíbrio foi mostrado com diferença de apenas 1 segundo entre o primeiro e o 8º.

Na FK, as baterias tiveram um equilíbrio muito grande, com troca de posições nas duas baterias entre Nienkotter e Dudu Dieter, velhos rivais (mas bons amigos). A primeira bateria foi vencida por Dieter e, na segunda, Nienkotter levou a melhor. Como na FK o critério de desempate é quem tem melhor desempenho na segunda bateria, Leonardo foi o vencedor da etapa. Ainda tivemos a estréia do jovem Jean Michael Steuck (14), além das participações de Antonio Francesco Votre e Mateus Laba.

Na FKS, Fernando Pastro tomou a ponta logo no começo da primeira bateria e venceu no final. Fernando Rocha veio logo em seguida na segunda posição. Os dois conseguiram abrir uma certa distância dos demais colocados que, com disputas emocionantes, tiveram que fazer traçados defensivos devido a pouca distância entre eles. No final, Gian Belli ficou em terceiro, Douglas Pierosan em quarto e Edward Fachini fechou as primeiras posições em quinto.

Já na segunda bateria da FKS, com a inversão do grid, as disputas ficaram ainda melhores. Além da disputa entre Rocha e Roger Vidal para ver quem venceria o primeiro semestre da temporada. Vidal não tinha conseguido um bom ajuste do kart no fim de semana e acabou liderando somente no começo, logo sendo ultrapassado por Rocha, que veio lá de trás para vencer a bateria e o semestre.

O susto aconteceu na volta 10, quando Fernando Pastro não conseguiu frear e, ao tocar roda com roda em outro kart, acabou arremessado do banco, o que fez a prova ser paralisada por alguns minutos. Os médicos deram os primeiros atendimentos na pista mesmo, constatando que o piloto não tinha sofrido nenhuma fratura. Mesmo assim, Pastro foi levado a um hospital para exames preventivos. Felizmente, nada foi constatado.

A Classificação geral ficou assim: Na FK, Dudu Dieter ainda lidera com 62 pontos. Nienkotter segue em segundo com 58. Na FKS, o líder agora é Fernando Rocha com 52 pontos, seguido por Roger Vidal com 44. Gian Belli e Edward Fachini dividem a terceira posição com 36 pontos.

A próxima etapa acontece dia 02 de agosto, em Florianópolis.

 

Daniel Gonçalves - Assessor de comunicação da FK e FKS

automobilismo

Ferrari nega inscrição e diz que não corre em 2010 com regras da FIA

Em nota, a Ferrari criticou a decisão da FIA de incluir a equipe na lista do Mundial de 2010 sem fazer a ressalva referente às condições exigidas pelos italianos

Sexta-Feira, 12 de junho de 2009

A novela ainda não terminou. Em nota enviada à imprensa nesta sexta-feira (12), a Ferrari informou que não chegou a um acordo com a FIA para que sua inscrição perdesse o status de condicional — como está na relação de 13 equipes para 2010.

Sendo assim, as exigências da Ferrari para entrar no Mundial de 2010 continuam: a retirada do teto orçamentário de £ 40 milhões (cerca de R$ 128 mi) do regulamento, a assinatura de um novo Pacto de Concórdia até 2012 e a aceitação das medidas para reduzir os custos propostas pelas escuderias.

A escuderia reafirmou seu desagrado com sua inclusão na lista. "Apesar do aviso prévio por escrito para não fazer isso, a FIA colocou a Ferrari  como participante incondicional no campeonato do próximo ano", diz o documento. "A fim de evitar qualquer dúvida, a Ferrari reitera que não deve participar do Mundial de 2010 sob o regulamento aprovado pela FIA, que viola os direitos da Ferrari", encerra o comunicado.

automobilismo

FIA põe Ferrari e surpresa Manor na lista e dá ultimato a 5 times da Fota

Cinco equipes do grid atual apareceram com asterisco devido às condições impostas na inscrição

Sexta-Feira, 12 de junho de 2009

E fez-se a lista. Depois de 45 dias de polêmica envolvendo os possíveis participantes na próxima temporada da F1, a FIA anunciou nesta sexta-feira (12) os nomes dos 13 times que disputarão a categoria em 2010. E a lista veio com surpresas: todas as equipes que compõem o grid atual foram nomeadas, mas cinco delas têm um asterisco indicando que ainda não há confirmação total. E três novos times foram indicados: Campos, USF1 e a surpresa Manor.

Relação de times para 2010:

Scuderia Ferrari Marlboro - Ferrari
Scuderia Toro Rosso - STR (motor a ser confirmado)
Red Bull Racing - Red Bull Racing (motor a ser confirmado)
At&T Williams - Williams Toyota
Force India F1 Team - Force India Mercedes
Campos Grand Prix - Campos Cosworth
Manor Grand Prix - Manor Cosworth
Team US F1 - Team US F1 Cosworth
Vodafone McLaren Mercedes* - McLaren Mercedes
BMW Sauber F1 Team* - BMW Sauber
Renault F1 Team* - Renault
Panasonic Toyota Racing* - Toyota
Brawn GP Formula One Team* - Brawn (motor a ser confirmado)

* Presença depende de mais uma semana de conversas

Oito escuderias têm suas presenças garantidas pela federação: as já conhecidas Ferrari, Toro Rosso, Red Bull, Williams e Force India e as novatas Campos, USF1 e Manor. Os outros cinco times que disputam a temporada de 2009 — McLaren, BMW Sauber, Renault, Toyota e Brawn — têm suas inscrições pendentes de confirmação devido às condições impostas pela Fota referentes ao regulamento.

A FIA convidou estes times a retirarem as condições feitas na inscrição — o pedido de manutenção das regras deste ano em 2010 — dentro de uma semana. As cinco escuderias poderão se reunir com a entidade neste período para tratar do assunto.

Porém, o fato de Ferrari, Red Bull e Toro Rosso terem sido colocadas de maneira permanente no próximo campeonato deve gerar mais polêmica. Os três times também haviam condicionado suas entradas à manutenção do regulamento, mas entende-se que eles têm contratos tanto com a FIA quanto com a FOM (Formula One Management), de Bernie Ecclestone, que os obrigam a correr na próxima temporada.

Já entre os três times novatos, há uma grande surpresa: a presença da Manor — e a ausência da Prodrive, de David Richards. Segundo a revista inglesa "Autosport", a equipe é comandada por John Booth, dirigente da F3, e por Nick Wirth, ex-chefe da Simtek e ex-desenhista da Benetton.

A Campos, de Adrian Campos, participou da GP2 até o ano passado, e a USF1 é o projeto norte-americano liderado por Ken Anderson e Peter Windsor. As três equipes vão utilizar os motores padronizados fornecidos pela Cosworth, que retorna à F1 depois de deixar a Williams, em 2006.

A FIA não divulgou quais foram as outras equipes que enviaram inscrições. Caso alguma das cinco escuderias que ainda não foram confirmadas termine não participando do campeonato, a entidade deve avaliar quem poderá entrar na vaga.

Ainda segundo a entidade, Red Bull, Toro Rosso e Brawn não revelaram quem fornecerá seus motores em 2010.

antigos

Woodies - SC é referência em marcenaria automotiva

NOVOS VÍDEOS - a arte dos carros antigos com partes em madeira

Sexta-Feira, 12 de junho de 2009

VEJA OS VÍDEOS - Série de 4 reportagens mostra o trabalho do Celeiro do carro Antigo, em Tijucas

VÍDEO 1 - VÍDEO 2 - VÍDEO 3 - VÍDEO 4

WEBMOTORS - Texto: Gustavo Henrique Ruffo

Gilberto d’Ávila Rufino é um advogado apaixonado por veículos antigos. Como em boa parte das histórias de paixão no mundo dos automóveis, a dele acabou se mostrando um negócio atraente, que o fez se dedicar integralmente à reconstrução ou criação de carros com carroceria de madeira, batizados, nos EUA, com o nome carinhoso de “woodies”. Em sua oficina em Tijucas, uma cidade de pouco mais de 25 mil habitantes a 50 km de Florianópolis, Santa Catarina, Rufino e sua equipe vêm dando forma a diversas carrocerias novas, construídas com o material nobre, algumas vezes inclusive colocando-as em veículos originalmente de metal.

Isso porque a maior parte dos woodies não vinha de fábrica com a carroceria, mas sim de grandes marcenarias, como a Cantrell, a Hercules e a Campbell. Apenas Henry Ford, que gostava de controlar todo o processo de produção de seus carros, tinha dentro de suas unidades fabris uma linha especificamente direcionada aos woodies. Tanto que foi uma das últimas empresas a deixar de produzir veículos do tipo, com a Mercury, em 1954. A outra foi a Buick, mas essa não tinha fabricação própria das carrocerias de madeira.

O processo de transformação era dos mais interessantes: o comprador de um veículo novo ou usado levava seu carro a uma concessionária e solicitava a mudança. Desde então ele já ficava encarregado ou de guardar as peças de metal de seu carro ou de dar cabo a elas de alguma forma, visto que essa responsabilidade era sua e de mais ninguém. Iam para a marcenaria apenas a parte dianteira, o banco dianteiro (ele era inteiriço, levando o motorista e os passageiros da frente), um terço do assoalho e os pára-lamas. O resto ia nu “em aço”, ou seja, com o chassi à mostra.

Era só disso que a empresa precisava para dar ao automóvel uma nova carroceria e, por vezes, uma nova função. Sedãs se tornavam conversíveis, conversíveis viravam peruas e por aí afora, dependendo do que o cliente quisesse e, mais importante que isso, pudesse pagar.

As primeiras woodies, de 1910, eram carros extremamente baratos, simples e, por isso mesmo, utilizados para o transporte de passageiros e de carga em estações de trem dos EUA e do Reino Unido. Foi delas que veio o termo “station wagon”, ou furgão da estação, hoje popularizado pelas pessoas que acham feio chamar um carro de “perua” ou “caminhonete”.

Com o tempo, as carrocerias também deixaram de ser mero quebra-ganho para ficarem mais complexas e sofisticadas, com o uso de madeiras nobres e desenhos exclusivos, que tornavam cada automóvel diferente, único. Nas estações de trem, elas passaram a ser destinada apenas ao transporte dos passageiros mais ricos.

Isso se tornou mais agudo durante a Segunda Guerra Mundial, quando a mobilização desviou a produção de bens de consumo para a produção de armamentos e veículos de transporte das tropas. Com isso, restava aos consumidores que queriam um outro tipo de carro, geralmente os mais abastados, a transformação em madeira. O aço estava em falta no mercado. Ocorria também de pessoas mais pobres recorrerem às carrocerias de madeira, mas eram veículos sem o mesmo cuidado dos que se mantiveram preservados até hoje.

Quando a situação se normalizou, as carrocerias de madeira haviam caído no gosto popular, tornando-se um símbolo de sofisticação e riqueza, e as fábricas tiveram de se adaptar a isso, pelo menos até que as exigências de segurança as tirassem de linha de produção. Pouquíssimo maleável, a madeira tende a se quebrar em choques, o que agrava as conseqüências de um acidente. Da carroceria, ela acabou passando para o volante e para o painel, onde permanece em veículos mais caros.

Antes que saíssem de linha, os woodies ganharam novas variações além de “station wagons”, tornando-se também belíssimos conversíveis de madeira, como o Chrysler Town & Country e o Ford Sportsman, este último em projeto para ser reconstruído no “Celeiro do Carro Antigo”, nome da empresa de Rufino (o site é www.celeirodocarroantigo.com.br). Sobre o capô de um Ford 1946 bastante enferrujado está uma foto do Sportsman, o que deixa qualquer visitante ansioso para ver o resultado final.

O WebMotors teve a oportunidade de visitar a oficina do “Celeiro do Carro Antigo” e viajou, de Florianópolis a Tijucas, a bordo de uma belíssima “station wagon” Ford 1946 Woody.

Quem nunca teve a oportunidade de andar em um carro antigo deveria experimentar a sensação pelo menos uma vez na vida. Isso porque um antigo, ainda mais se for especial como um Woody, parece ser transparente. As pessoas que observam o carro não o fazem com uma expressão menos agradável que a risonha. Leve ou escancarado, o sorriso estampa todos os rostos. E não se trata apenas de senhores mais idosos ou de meia idade que se recordam de ter visto ou dirigido um veículo semelhante, mas também de mulheres, crianças e adolescentes. É uma quebra no carrancudo modo de conduzir que aprendemos no trânsito atual de qualquer grande cidade.

O passo da perua é suave, com um potente motor V8 de 100 hp (pouco mais de 101 cv) de marcha lenta baixíssima, na casa dos 200 rpm! O câmbio, de apenas três marchas e alavanca atrás do volante, conta com o torque alto do V8 para pôr em movimento o peso do veículo, mas já sente o peso dos anos. Não é nada, de todo modo, com que a técnica de dupla debreagem não possa lidar. Essa técnica consiste de duas pisadas no pedal de embreagem, uma para desengatar a marcha e outra para engatar a próxima, a fim de dar ao câmbio e ao motor condição de acharem seu tempo.

Por dentro, o teto, com estrutura de madeira, coberta por uma lona, garante proteção contra o sol forte de Santa Catarina. Ao contrário do que poderia parecer, a perua é muito silenciosa por dentro, sem o chacoalhar característico que as peças de plástico se habituaram a fazer. Só o que se ouve é o murmúrio do V8. O que se vê são sorrisos.

Chegando a Tijucas, o que se vê é uma oficina instalada num casarão antigo, do mesmo tempo, ou até mais velho, que os carros que ali ganharão nova vida. Em grandes bancadas, as estruturas de madeira de lei vão sendo preparadas para um perfeito encaixe nas carrocerias em recuperação.

As dobradiças e fixações são reproduções fiéis, feitas pela própria equipe de Rufino, que conta com dois esmerados artesões, pai e filho, baseados nos modelos originais, dos quais Rufino comprou projetos e os próprios veículos, para recuperá-los e tirar os moldes necessários. “Eu sou um fornecedor de peças. Tanto para um veículo a ser restaurado como para um a ser reconstruído. Para a reprodução do Town & Country, comprei um veículo nos EUA”, diz Rufino. O processo de produção de uma nova carroceria leva em média seis meses, mas pode durar mais.

Na parte de trás da oficina estão guardados os modelos que se transformarão em woodies. Muitos deles tinham originalmente a carroceria de madeira, já bastante gasta, mas a maior parte dos Mercury, Chrysler, Ford e De Soto estão ali para ver uma estrutura daquelas pela primeira vez em suas longas jornadas.

Pode parecer estranho ver um woody com carroceria em mal estado, mas, depois de seu apogeu, esses carros passaram a ser considerados feios, desajeitados e inseguros, especialmente nas décadas de 1960 e 1970. Isso fez com que seus preços caíssem muito e que eles fossem adotados por surfistas, responsáveis por torná-los, novamente, veículos de relevância.

Desvalorizados, os woodies se tornaram ideais para os esportistas das ondas. Primeiro, porque eram baratos e acessíveis; segundo, porque eles eram espaçosos, especialmente as peruas, que transportavam em média sete passageiros e todas as pranchas e equipamentos; por último, porque suas carrocerias eram resistentes à maresia e, se tivessem algum dano, poderiam ser reparadas por um bom carpinteiro.

Atualmente, a Califórnia é o paraíso desses veículos, que se tornaram, mais uma vez, veículos desejados pelos consumidores, com o agravante de terem se tornado extremamente raros, o que torna seu valor bastante elevado. “É como construir dois carros em um só, porque nos preocupamos com a carroceria de metal e com a parte de madeira, toda artesanal”, diz Rufino.

Os veículos recuperados ou produzidos pelo Celeiro do Carro Antigo seguem essa tendência, até pela especialização necessária ao resultado, que você pode conferir pelas fotos ao lado. Os valores só são fornecidos sob consulta, variando de acordo com a raridade de cada modelo, mas, em leilões internacionais, eles ultrapassam R$ 200 mil.

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Horários Competição:

sexta-feira 20h; sábado 20h e 1h da madrugada; domingo 23h